A História antes do PRATO!!!!

09/12/15 | Roberta de Angelis | Video

Como vamos iniciar nossa jornada e podemos dizer nossa aventura gastronômica pela riqueza da América Latina, temos que começar a entender a origem de cada prato e como os ingredientes estão inseridos na realidade de cada País e toda a história por trás das conquistas e aplicações desses contextos à população e a cultura de cada lugar.

Já dissemos no post anterior que vamos iniciar com um prato típico Boliviano, comum à região central – de Santa Cruz de La Sierra – o MAJADITO, ou também conhecido como MAJAO, um prato simples e que pela proximidade cultural com o Pantanal sul mato grossense é muito parecido com o nosso Arroz Carreteiro (Pantaneiro), uma das características desse prato é justamente de onde ele vem.

A letra da música emblemática das raízes pantaneiras – Trem do Pantanal – traduz essa proximidade e a importância da troca de costumes entre Bolívia e Brasil.
Trem do Pantanal

Enquanto esse velho trem atravessa o pantanal
As estrelas do Cruzeiro Fazem um sinal
De que esse é o melhor caminho Pra quem é como eu
Mais um fugitivo da guerra.
Enquanto esse velho trem Atravessa o Pantanal
O povo lá em casa espera Que eu mande um postal
Dizendo que eu estou muito bem e vivo Rumo a Santa Cruz de la Sierra
Enquanto esse velho trem Atravessa o Pantanal
Só meu coração está Batendo desigual
Ele agora sabe que o medo Viaja também
Sobre todos os trilhos da Terra Rumo a Santa Cruz de la Sierra Sobre todos os trilhos da Terra.
Assim foram os fluxos de viajantes, aventureiros, saídos do Brasil rumo à Bolívia, e na época da Ditadura Militar, de fugitivos políticos a procura de liberdade e esconderijo.

A região Central da Bolívia é uma das mais populosas do País, e comportou grande fluxo migratório nos últimos 30 anos. Entre Corumbá – cidade sul mato grossense que faz fronteira com a Bolívia e Santa Cruz de La Sierra são em torno de 650 quilômetros.
santa cruz

Outra Característica são os próprios ingredientes, poucos porém bem integrados, que foram se compondo pela necessidade da época da colonização pelos Espanhóis, de fácil preparação, porém de riqueza de sabor imensa.

O próprio nome do prato já nos remete a sua forma simples e de fácil armazenagem, “MAJADO” – significa “esmagar”, esmagar a carne de charque antes da preparação de preferência em um pilão de madeira…bem como sempre fizeram nosso tropeiros e pantaneiros na preparação de suas queimas do alho em suas viagens longas ao levarem as tropas e boiadas de uma região a outra do Brasil.

Daí sim mais sentido as influências recíprocas entre Brasil e Bolívia, na cultura gastronômica e na cultura da vida.

Um dos diferenciais entre o Majadito e nosso Carreteiro, é a presença necessária de certos acompanhamentos, como o ovo, mandioca e Bananas fritos, e o toque especial do Urucum (em espanhol Urucú ou Achiote), provindo de árvores nativa de regiões tropicais das Américas.

O Urucum por exemplo, semente muito conhecida pelos indígenas, e utilizada por esses povos a tempos imemoriais, principalmente para fins medicinais, sendo um potente protetor solar, antídoto para o veneno da mandioca brava, cicatrizante, e utilizado para aliviar problemas estomacais. Sua atribuição para tingimento em vermelho, lhe tornou forma de caracterização corporal aos indígenas, que o utilizam como “tinta” para pintar o corpo e a face.

urucum

Damos também  uma atenção especial a Banana ou Plátano, pela sua importância econômica e social na Bolívia. Lá na região do Alto Bení – onde o Majadito é muito tradicional, dos mais de 12.000 hectares de plantações, cerca de de 85% de toda a produção de banana é feita de forma orgânica, e têm trazido os meios de subsistência para melhoramento da renda dos agricultores especialmente na citada região do Alto Beni (na região Norte Central da Bolívia).

A expansão da agricultura orgânica na América Latina depende do apoio dos governos, de leis e processos de certificação eficientes, investimentos em pesquisa, informação e educação; tudo a fim de resgatar principalmente os conhecimentos tradicionais dos agricultores locais, e garantir a comercialização de alimentos de qualidade, que podem mudar a realidade de toda uma população.
BANANA BOLIVIA

Podem aguardar uma receita cheia de sabor e história, carregada de tempero e amor!!! 

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