Reino Unido, Ops! exceto com a Europa

24/06/16 | Roberta de Angelis | Política

 

reino unido e união europeia

 

Nesta madrugada do dia 24 de Junho de 2016, 52% da população do Reino Unido por meio de um Referendo decidiu pela sua saída do bloco econômico União Européia (“Brexit”), e com o anúncio desta decisão, uma avalanche de previsões catastróficas sobre o futuro da economia, da estabilidade de moeda, da crise de fronteiras começaram a se consolidar, se fala inclusive em Terceira Guerra Mundial, porém como qualquer previsão de futuro o passado torna-se sempre a causa essencial; vamos analisar então os fatos pretéritos que levaram a esta decisão.

O Reino Unido – que é uma formação de força aglutinativa da Inglaterra, sempre ditou os rumos da nossa civilização moderna, sendo responsável direta ou indiretamente pelos acontecimentos mais revelantes da história mundial nos últimos séculos.

Voltando a época onde a atividade econômica predominante na Europa era a atividade de “Conquista”, Portugal e Espanha se lançaram em variadas aventuras marítimas em busca das riquezas chamadas “especiarias”, o que culminou com uma hegemonia Espanhola durante muitos anos liderada por Colombo e tantos outros “heróis” ibéricos, e com o “Descobrimento” do Brasil por Portugal; tais colonizações foram marcadas eminentemente pela razão exploração; Espanha e Portugal de forma nem um pouco sustentável tentaram tirar das colônias tudo que podiam e nem por um momento pensaram em dali fazerem um alargamento de suas fronteiras e criar verdadeiramente novos territórios.

Tal mentalidade criou o que se espera de algo que não se renova e que não é pensado para durar, o esgotamento da fonte, e uma deteriorização histórica e que ainda de alguma forma permanece de atrasos culturais e de bases éticas sustentáveis para o verdadeiro progresso destas “ex” colônias.

A par desta que é uma outra história, a Inglaterra diversamente estabeleceu em suas colônias, um verdadeiro empreendedorismo, levando sua população para exercerem o povoamento de suas colônias, replicando sua cultura, seu modo de pensar e produzir, trataram as Colônias como uma extensão de sua casa “mãe”, e foi este o diferencial e a base dos Estados Unidos da América e da Austrália, dois dos mais emblemáticos exemplos de Colonização que deram certo.

O chamado “orgulho” americano e a eficiência reconhecida da Austrália são fruto das raízes deixadas e formadas pelos Ingleses, isto nos demonstra a força que esta Nação exerceu e continua a exercer no mundo. A Inglaterra é formadora de instituições e doutrinas…a exemplo do iluminismo, revolução industrial, foram os primeiros a defender ideias abolicionistas (a Lei Aberdeen de 1845 foi decisiva para a abolição da escravatura no Brasil) ; foi inclusive pela Inglaterra que a família real portuguesa alçou forçadamente “pouso” no Brasil, o que definitivamente modificou os rumos de nossa história.

Também foi protagonista na eclosão da Primeira Guerra Mundial em 1914, por sua rivalidade com a Alemanha ser tratada por muitos como um dos grandes motivos para o início da guerra; mesmo líder do bloco vitorioso a Inglaterra saiu da guerra de credora a devedora dos Estados Unidos, que foi o fato determinante para torná-lo uma potência mundial. A guerra favoreceu os EUA.

Foi a partir dai que o mundo começou a ser visto não apenas pela ótica individual de cada nação, mas porém por blocos de interesse comum, de cooperação mútua, e obvio para servir aos interesses econômicos ditados pelo capitalismo de mercado, a Organização das Nações Unidas nasce nesse contexto.

Ocorreu que o crescimento brutal dos Estados Unidos foi atropelado em grande parte pela vontade de mostrarem ao mundo em especial à Rússia (a Revolução Russa estava em franca expansão) sua hegemonia, a crise de 1929 estava mais do que pronunciada, crescimento por crescimento um dia deprime, uma lição que ainda não foi aprendida, 2008 esta bem próximo para não nos deixar esquecer.

Para saírem da crise os Estados cresceram, em intervenção para aquecer a economia e garantir uma retomada, mas também em autoritarismo, surgem Hitler (Alemanha), Mussolini (Itália), Franco (Espanha), Salazar (Portugal); e se formou o cenário da Segunda Guerra Mundial deflagrada em 1939.

A Inglaterra de Churchill fazia as vezes de aglutinadora do eixo dos aliados formado também por Estados Unidos, França, e inclusive a União Soviética; que foi determinante para a vitória dos aliados na guerra; mesmo com tudo já consolidado, os Estados Unidos já vencedor em sua guerra quase que própria com o Japão, resolvem em 1945 “gritar” ao mundo sua superioridade e lança sobre as cidades de Hiroshima e Nagasaki duas bombas nucleares que aniquilaram vidas de milhares de civis sem qualquer fim específico, este ato derradeiro iniciou uma fase de armamento nuclear mundial, que muito tem a ver com a decisão do Reino Unido no dia de hoje.

Os Estados Unidos foi o maior beneficiário com a guerra, e mesmo com sentimentos da Guerra Fria, se expandiu economicamente, porém como gigante consumidor de Petróleo do mundo, se viu dependente de países como Irã, Iraque, Arábia Saudita, entre outros, países que por conflitos internos sempre mantiveram-se em guerra recíproca, um dos fatores determinantes para a Crise do Petróleo de 1973, e mais uma recessão nos Estados Unidos e no mundo.

Aproveitando a tensão da Guerra do Golfo entre Iraque e Kwait em 1991, os Estados Unidos resolvem entrar na guerra alheia, aliás, Estados Unidos e Inglaterra sempre foram os maiores apoiadores e aliados de Israel na guerra da Palestina, guerra esta eterna.

De lá pra cá a custa de bilhões de dólares, milhões de mortes e pela bandeira de “pacificador mundial” os Estados Unidos guerreiam no Oriente Médio constantemente, providencialmente onde mais se produz Petróleo, financiando ainda que indiretamente governos radiciais com produção de armas de destruição em massa que amedrontam o mundo todo.

Até agora nenhuma ação trouxe nem paz nem progresso a estes países, ao contrário o acirramento da falta de diálogo e do ódio tem feito os conflitos crescerem e piorarem em dizimação e fome o Oriente Médio, o que culminou com milhares de refugiados, que pela logística do Mar Mediterrâneo e a proximidade física buscam refúgio na Europa, tendo como destinos preferidos Alemanha, França, Bélgica e REINO UNIDO.

Essa migração desenfreada e não desejada começou a desmontar os paradigmas de união da União Européia e foi o principal motivador para o desejo do Reino Unido em se distanciar do Bloco e seguir carreira solo, podendo criar regras próprias de fronteira e impedir a chegada de migrantes, os quais não teriam condições de atender ou receber, sem prejuízo da qualidade de vida de seu próprio povo (esta é a justificativa mais singela sobre o tema).

Hoje o mundo acordou com ruídos de incerteza, as bolsas abriram em queda, a libra esta com a maior desvalorização desde 1992, o primeiro ministro Britânico renunciou, o bloco econômico que mantém quase 25% do PIB mundial fica fragilizado e com as portas abertas para novas saídas.

O Reino Unido, mesmo fazendo parte da União Européia, desta foi seu membro mais desgarrado, não aderiu ao Euro, mantendo a Libra como sua moeda oficial (fato determinante de permissibilidade jurídica para sua saída da UE), não aderiu a inúmeros pactos e obrigações, pois sua força nacionalista e singular sempre mantiveram os rumos de sua história e de sua posição na história mundial.

Porém sua simples presença no bloco o tornava sólido e mantinha sua credibilidade perante as portas externas, hoje a ILHA se tornou mais uma vez norteadora da história futura, esperamos que não seja de uma história triste e de retrocessos, mas de repensarmos os rumos de nossas relações e de como o mundo deve conversar diante das diferenças culturais de cada nação.

Importante saber como os Estados Unidos irá de manter frente a esta decisão, como se portará a criatura frente ao criador.

Mais uma vez a Inglaterra faz a história do mundo. Salve a Rainha!

 

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