SONHO DA CASA PRÓPRIA OU SONHO DE LIBERDADE?

11/07/16 | Roberta de Angelis | Inspiração

Desde que eu e meu marido decidimos casar, uma das nossas maiores dúvidas e objeto de inúmeras pesquisas de opinião, pesquisa técnica, reflexão matemática e principalmente introspecção de nossos anseios de vida, foi sobre iniciarmos a vida juntos com a resolução da casa própria definida ou partirmos para o aluguel e seguirmos uma “wildlife”; acabamos descobrindo que esta escolha é muito mais uma questão de filosofia de vida do que apenas financeira.

Ainda namorando decidimos dar alguns passos rumo a conquista da casa própria, adquirimos um Consórcio Imobiliário, literalmente no susto, o vendedor apareceu na porta de casa oferecendo a “Oportunidade” de nossas vidas, e assim encantados pelo sonho vendido pelo rapaz embarcamos em uma entrada equivalente a 02 salários nossos e mensalidades equivalentes a 10% do que ganhávamos na época, iludidos pela ideia de que poderíamos comprar o terreno com o Consórcio e financiar a construção de nossa casa futuramente, parecia o plano perfeito.

Por um bom tempo nos vangloriamos da nossa grande estratégia financeira, e mesmo sendo ambos advogados não nos atentamos a maiores detalhes do Contrato, até que um belo dia de pesquisas jurídicas me deparei com um caso parecido, onde uma pessoa reclamava da empresa de Consórcio pois não era possível financiar uma construção em lote comprado com carta de crédito de consórcio, por uma razão jurídica extremamente pífia e óbvia (detalhe: eu auto no ramo do direito imobiliário, mas já vou tentar me esquivar de maior culpa, pois na época não era atuante nessa área) = Não se pode alienar duas vezes o mesmo imóvel, neste caso o terreno já estava por garantir o Consórcio, como poderia haver mais uma garantia ao banco financiador da construção?  Pasmem…me revolto comigo mesmo só de relembrar do ocorrido.

Resumo da ópera: Lógico que a resposta do vendedor foi: “Não, vocês entenderam mal… nunca disse isso!!!” Cancelamos o Consórcio com 4 meses de contratação e até hoje não vimos nenhum centavo de volta do que foi pago!!!

Mas como brasileiros, não desistimos fácil, passado mais algum tempo, e a “pressão” por definições cobrando a evolução da nossa relação, resolvemos partir para um financiamento imobiliário conjunto = Terreno + Construção, para tanto nos foi apresentado um “Corretor de Imoveis + Construtor” – serviço completo, cheio de facilitações, mais uma vez o sonho que estava sendo vendido era tão lindo que se mostrou verdadeira “salvação”…. ora mais uma vez podíamos nos vangloriar daquela estratégia magnífica que estávamos montando… o terreno ia sair por um preço M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O… e a Construção quase a preço de custo iria ser a mais deslumbrante possível.

Dessa vez o resumo não foi o pior dos cenários, dessa vez os anjos e santos que me protegem resolveram soprar sonoros sinais de cautela, e exatamente na data de assinar o contrato de Construção eu resolvi não querer mais a casa, entretanto o terreno já estava por favas contadas… entramos no financiamento, pagamos comissão para nosso algaz Corretor-Construtor e nos deparamos com a matemática “verdadeira” do financiamento, onde durante 30 anos você paga 2X de juros e amortiza apenas 0,5X ao mês.

Como a vida é cheia de surpresas e só depois de um tempo vislumbramos seus verdadeiros significados, foi neste terreno que meu marido iniciou sua trajetória como construtor, assumindo a aventura de lá construir nosso Muro de Arrimo, hoje o arrimo da família vem dessa descoberta (Salve mais uma vez meus anjos e santos)…. quanto ao outro Construtor, 2 dias depois de nossa “descontratação” descobrimos os inúmeros problemas construtivos que seus outros clientes estavam enfrentando.

Após tanto sofrer na pele as intempéries da saga da Casa Própria e muito ler (principalmente Gustavo Cerbasi), quando o casamento chegou pra valer, fizemos a seguinte matemática de VIDA:

  • Se o imóvel onde se deseja morar, para que se satisfaça as necessidades de espaço, conforto, lazer e localização custa 500 mil reais, e o casal apenas conta com 50 mil reais de poupança para iniciar a vida conjunta, a compra à vista é impossível.
  • Para a aquisição por meio de um financiamento imobiliário, o casal necessitaria de dispor da totalidade de sua poupança para dar a entrada, e entraria em prestações mensais iniciais no valor médio de 4,6 mil reais, “casando” com o financiamento por 30 anos—- 30 anos!!!!!
  • Ocorre que o valor de aluguel do imóvel é de 1,5 mil reais mensais, o que corresponde a 0,3% a.m para o dono do imóvel… não cobre nem o pior dos rendimentos bancários (a poupança)… uma aplicação de LCI rende ao casal pelo menos 0,8% a.m, isto significa que de partida o valor da suposta entrada do financiamento já estaria lhes rendendo 400,00 por mês.
  • Se considerarmos uma diferença média entre o valor das prestações do financiamento e do valor pago de aluguel mensalmente, SEM correção alguma, estaríamos diante de uma poupança ao final de 30 anos de mais de 1 MILHÃO de reais, sem contar o valor da entrada que renderia por todo esse tempo.
  • Até o final do prazo do Financiamento – morando no mesmo imóvel, o casal poderia COMPRAR 2 IMÓVEIS IGUAIS.

A filosofia de vida nessa história toda não se explica pela matemática desenhada acima, mas por todas as oportunidades de investimentos pessoais que o valor garantido da poupança e da disposição mensal de capital podem oferecer. Viagens, passeios,  mais filhos?, cursos, saúde, liberdade de poder fazer coisas que pela realidade do nosso mundo atual, apenas com dinheiro se pode acessar. Enfim ter a LIBERDADE de tomar os rumos, e as rédeas da sua própria vida, sem pensar no Boleto do Financiamento todo mês.

Entendam: Quem ganha com o aluguel? É quem paga (o locatário) … Quem ganha com o Financiamento? É quem recebe (juros abusivos e especulativos – o BANCO).

Os financiamentos imobiliários tornaram-se o grande negócio dos últimos tempos das Instituições Financeiras pelo mundo todo, a fome do capitalismo mais selvagem que pode existir, a força propulsora de corretores insaciáveis, capazes de hipotecar um único imóvel várias vezes para a mesma pessoa, e a aposta no que chamam de “títulos podres” levou o mundo a presenciar uma das piores quebras econômicas dos últimos tempos, em 2008 desencadeada nos Estados Unidos; quantas famílias ficaram sem lar, sem emprego e sem esperança?

Sei que a crise de 2008 ainda ficou sem explicação para muita gente, por isso se tiverem interesse recomendo para os menos curiosos assistirem o filme recente: A GRANDE APOSTA (descobrimos o lado negro de Wall Street e ainda podemos desfrutar de Brad Pitt); ou para os mais curiosos, este filme foi baseado em um livro (A JOGADA DO SÉCULO) – best seller com o mesmo nome, e conta TODOS os detalhes sórdidos da manipulação financeira, da irresponsabilidade de oferta de crédito podre e de como ainda estamos correndo os mesmos riscos de revivermos uma crise igual.

E você já conquistou a casa própria? ou ainda pretende conquistar outras tantas coisas diferentes?

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