UM CORAÇÃO LATINO AMERICANO

06/07/16 | Roberta de Angelis | Cultura e gastronomia

Um dia me peguei encantada com uma conclusão de Isabel Allende, escritora chilena, que representa muito bem nosso continente no mundo todo, que disse que os próprios contornos que aparecem nos mapas, confundem a América Latina a um “coração enfermo”.

Realmente se cairmos a cabeça para o lado esquerdo conseguimos ver um coração, quase se esvaindo em um dos lados, mas ainda sim um coração.

Melhor definição não poderia caber à América Latina, um lugar ao mesmo tempo mágico, como extremamente machucado e cheio de marcas.

Grande em tamanho, mas sempre infinito na capacidade de acolhimento, e que ainda não entendeu o verdadeiro sentido de união. Unirmo-nos em um só coração para podermos chegar onde o destino clama em nos chamar.

É disso que somos feitos e pelo o que move nossos corações, um amor, a esperança, nossas vontades e sonhos, nossos medos e dores, que são sempre guardados em compartimentos quase que infinitos nesse local que costuma bater no peito, as vezes bate à boca e muitas vezes naquela sensação gelada no estômago.

Essa terra que já sujeitou seu coração à espada daqueles que aqui chegaram, e o fizeram sangrar até minar a alma, mas como o sangue ainda pulsa nas veias, nos ressuscita, como mais um sopro de vida a este coração enfermo.

Ao invés de sangue, em nossas veias correm o sol, o calor, nossas terras, nossas águas, as montanhas, as cores, a alegria, a música, o amor, a força, nossas lutas, guerras, dores e desafios, nós respiramos todas as lutas que nossa terra e nosso povo trava desde a época da colonização e que se mantém até hoje.

Clinicamente o coração é o responsável pelo bombeamento do sangue, por meio de um sistema circulatório, com válvulas de entrada e de saída, transportando o oxigênio e os nutrientes que os nossos órgãos e tecidos necessitam para que possam funcionar em perfeição.

Resumindo são as batidas dos nossos corações que nos tornam e nos mantém vivos.

Nossa família quer nossos corações, o trabalho que escolhemos para exercer quer nossos corações, nossos amigos querem nossos corações, assim como Deus quer nossos corações, independente de nossas convicções religiosas, por que é pelo coração que Ele fala conosco, pois a vida é um mero sopro, e somente aquilo em que colocamos nossos corações permanecerá eternizado.

A história da América Latina como um todo foi marcada pelas violências da chegada dos europeus “colonizadores” a estes territórios, desde então a própria existência dos povos nativos foi modificada, talvez sem perspectiva de revitalização, permanecendo “enferma”.

Durante toda nossa história, marcada por espoliações e violências, a única coisa que nos manteve vivos e ainda nos mantém, são nossos corações pulsantes, cheios de sonhos, vontades e amores.

As primeiras pessoas a doar-nos seus corações em nossas vidas, são nossas mães, desde nos ceder suas batidas enquanto ainda estamos dentro delas, e ao primeiro dia de nossas vidas, como se ainda batêssemos junto à elas.

Seus corações apertados quando nos colocamos em riscos, ou os despedaçamos sem conserto, quando partimos precocemente.

Esses mesmos corações que se enfermam a cada desilusão amorosa, e que destas têm a capacidade de exteriorizar os mais lindos poemas e músicas, que se propagam para embalar tantas e tantas outras desilusões em corações tragicamente machucados pela paixão.

É sim o único órgão do corpo humano, que é capaz de viajar grandes distâncias sem acompanhar o restante da matéria, pois quem nunca ouviu ou disse: “Me vou, mas meu coração ficará aqui”, deixamos nossos corações com alguém, em algum lugar, em algum ofício, somente para lembrarmos deles para sempre.

O considerado coração da América Latina, no meio das cordilheiras, Cusco – Peru, era a capital dos Incas, monumental até hoje aos olhos de nossa civilização moderna, é espelho da evolução do auto conhecimento dos povos que a fizeram, mestres naturais da medicina, astrologia, engenharia e todas as ciências, porém que foram exterminados de suas terras por não possuírem o único conhecimento que lhes derrotou, o poder de fogo da pólvora.

Todos que foram mortos e expulsos de suas terras, lá deixaram a única coisa que os tornaram eternos, seus corações, principalmente do povo que lá esta, de suas campesinas e artesãs, por que nunca se morre daquilo que nos faz viver.

Essas campesinas, que produziram a salvação de muitas nações, a batata, tubérculo nativo do Peru, chamada de “papa” na linguagem quíchua, e cultivadas com procedimentos tradicionais desde tempos imemoriais pelos povos Incas na região andina.

Quando da chegada dos Espanhóis e o início do processo de exploração da região, em meados de 1530, levando o que chamaram inicialmente de “patata” à Europa, que rapidamente se disseminou e tornou-se base na alimentação de vários Países.

Além disso, foi a batata “inventada” e “descoberta” no Peru, que salvou milhões de europeus, pois em muitas épocas era o único alimento nutritivo e acessível, inclusive nos períodos das duas grandes Guerras mundiais.

A batata ainda foi determinante para a maior revolução social da humanidade, senão a Revolução Industrial ocorrida do Reino Unido no século XIX, ajudando a promover o desenvolvimento econômico, pois diminuía a necessidade de trabalhadores no campo, tornando-os disponíveis para o trabalho nas fábricas.

Nossos triunfos e contribuições para a humanidade são tantos, porém tão esquecidos, que nós mesmos nos esquecemos do valor de nosso passado, ou que o modo como nossa evolução ocorreu nos obriga a esquecer ou até não ter conhecimento dos feitos de nossos ancestrais.

Mas dentro de nossos corações temos que manter vivas essas lembranças, esses corações que nos mantém acreditando que podemos ser unidos, que podemos praticar a paz e que podemos sonhar com um mundo melhor, sem as desigualdades, os preconceitos e a falta de amor para com o próximo.

Acreditando naquilo que levamos nos nossos corações, que nos motiva a continuar todos os dias, é que estas linhas são fruto de um coração que acredita, e por isso tenta abrir quantos corações sejam que também acreditam que vale a pena.

Tudo aqui se resume ao que e para que batem nossos corações, a história é um apanhado de fatos reais, que devem ser lembrados, mas a esperança é feita daquilo que o passado mostrou que vale a pena, e que apenas por nossos corações podemos regatá-los.

Revivendo ainda a história (dos fatos reais e imemoriais), podemos constatar que a partir do momento da chegada dos colonizadores, a população da América Latina foi formada por uma grande e intensiva miscigenação entre estes povos pré existentes e os recentemente chegados.

Para as mulheres indígenas, nativas que aqui estavam, o choque não poderia ser maior, uma vez que em seu modo de vida tradicional, a mulher sempre teve uma influência muito grande nas decisões internas nas comunidades, tendo papel muito bem determinado, sendo a responsável pela criação, manutenção e produção de roças, e produção dos alimentos para a comunidade.

E no contato com os primeiros colonizadores descobriram, infortunadamente o machismo, a exploração sexual e a violência física, sob condicionamentos de dominação.

Porém, além desses fatores negativos, essas mulheres cada vez mais guerreiras, principalmente diante desses novos influxos, lutaram por sua subsistência.

Pero Vaz de Caminha atentou para as características das mulheres nativas: “quartejados de cores, a saber metade deles da sua própria cor, e metade de tintura preta, três ou quatro moças bem moças e bem gentis e espáduas, e suas vergonhas tão altas, tão cerradinhas e tão limpas das cabeleiras que, de as muito bem olharmos, não tínhamos nenhuma vergonha.”

Esta dita “limpeza”, admirada por Caminha e que não trazia vergonha aos pensamentos demonstra a verdadeira pureza interior das mulheres nativas, pureza arrancada de sua essência pela opressão e violência que sofreram durante todo o período de conquista dos europeus, e que se revestiu de muita vergonha com o passar do tempo.

O fruto dessas violações, traduziram-se em que essas populações foram sendo miscigenadas com os novos indivíduos aqui chegados, as mulheres nativas começaram a ser mães de filhos de relações com os europeus, e nascendo o que hoje somos, uma mistura de toda a história que se passou.

Nesta época não se podia imaginar que séculos depois, viriam a se formar Estados independentes, Nações soberanas, que após muita guerra e sangue derramado, o que corroborou para os valores que possuímos hoje sobre nosso passado e que legitimou todas as sociedades latino americanas.

Tentando trazer maior embasamento historiográfico as nossas memórias (não vividas, mas vivificadas nas lembranças formais dos que nela estiveram), importante é sabermos quais povos e em quais situações seu quase extermínio, terminaram por conduzir nações e situações ainda hoje existentes.

Uma das regiões mais guerreadas, marcadas pela presença indígena e que depuseram em resistir aos ataques e massacres que se seguiram com a chegada dos europeus, neste caso especificamente os espanhóis, foi a região dos Andes e sua continuação à região Amazônica, que compunha oque antes era chamado de Alto Peru, que tornou-se a Bolívia, envolvendo parte do Peru, Argentina, Colômbia e hoje a própria Bolívia.

O nascimento da Bolívia (com este nome), tem muito a ver com um dos personagens mais icônicos da história da América Latina, o líder revolucionário libertador Simón Bolívar, militar de carreira, venezuelano de nascença, de descendência espanhola, vivido no Vice Reino da Nova Granada (Espanha) donde  hoje se esta a Venezuela, criado com abastança e estudado na Europa e Estados Unidos.

No Século XIX, ao retornar a sua terra natal e consciente dos grandes prejuízos que o colonialismo tinha trazido a esta, iniciou sua luta pela independência das colônias espanholas na América.

Simón Bolívar travou inúmeras lutas contra a coroa espanhola, e teve em 1824 sua definitiva vitória na Batalha de Ayacucho, região rica e próspera em razão das minas de Potosí, ocasião em que os realistas se renderam as suas tropas revolucionárias e que culminou no ano seguinte, em 1825 com a decretação por parte de seu amigo o General Sucre, da emancipação da Bolívia (antigo Alto Peru).

O general Sucre foi o primeiro governante da Bolívia, como território independente, e Bolívar o idealizador da Constituição daquele território, uma nação com história que se confunde com a própria história do Peru, principalmente quanto a condição ontem e hoje de seus povos originários, vez que um só.

Tanto em um local como em outro, as lutas e dificuldades se fundem e se constituem até hoje como grandes desafios, que acreditamos ainda estarem longe de se resolverem.

Os indígenas daquela região dos Andes, antes componentes de uma das civilizações mais evoluídas de todos os tempos, no Império Inca, viram-se com o sufocamento dos espanhóis e sua cegueira pelo ouro e pela prata, se esvaírem em sua própria existência.

Eram obrigados pelos espanhóis a trabalharem “de graça” nas minas de Potosí, como pagamento dos “tributos indígenas” (valor imposto apenas pela condição étnica daqueles indivíduos), e da Mita (forma de trabalho compulsório herdada dos astecas pelos espanhóis na época colonial), o que se resumia objetivamente em verdadeira imposição de uma escravidão.

Para tanto os indígenas de diversas regiões eram levados a força para as minas, tendo que deixar para trás suas comunidades (famílias), bem como suas atividades tradicionais, inclusas nessas a agricultura, caça, pesca etc.

Nestas situações por muitas vezes, as mulheres indígenas para poder manter a subsistência de seus filhos, exerciam todas as funções dos homens nas comunidades, o que se demonstra até hoje, com grande número de campesinas que lavram e trabalham na terra diretamente, e dela sobrevivem e criam seus filhos.

Outra consequência de tal situação, foi o êxodo dos indígenas do campo para os centros urbanos que estavam por se formar, como Lima – Peru, uma cidade formada pelos espanhóis, que respirava os seus costumes e não tinha informações nem interesse nas populações originárias que ocupavam principalmente a região andina.

O maior fluxo de indígenas à cidade ocorreu na década de 1940, que por não conseguirem empregos formais, foram viver nas periferias de Lima, formando as chamadas “barreadas”, que são as favelas de lá.

Trabalhando como informais (ou como chamamos aqui “camelôs”), os indígenas tentam reproduzir sua maneira de vida tradicional, coletivista e comunitária em seus guetos, em busca de preservar seus usos, costumes e raízes.

E nisso as mulheres tem importante e fundamental papel, criando estas raízes em seus filhos desde pequenos e tentando que não se desviem de seu passado por completo, mesmo com tantos influxos de influências e tendências “brancas” que devem contatá-los diariamente.

Essas lutas legítimas, e que contaram sim com a participação efetiva das mulheres, foram a fórmula de construção do pensamento de um conceito de América Latina, com suas razões de ser.

A partir dai todos os países de nosso continente começaram a considerar-se parte de um todo, dando indícios de uma civilização que busca a autodeterminação, porém que vivia e vive até os dias de hoje com um multiculturalismo, que somente com a maturidade nacional poderia e poderá ser entendido e respeitado.

As discussões políticas e culturais sempre tiveram muito presentes e afloradas em todas as sociedades latino americanas, porém as raízes destes povos sempre se mostraram afirmados propriamente sobre a visão de cada povo sobre sua condição e seu lugar no mundo.

Em sociedades multiculturais, não se pode considerar uma verdade como única e absoluta, especialmente diante de tantas verdades que nos são apresentadas. Somente com respeito e reconhecimento das diferenças é que todas as formas e expressões culturais poderão se manter às futuras gerações.

Ser quem somos em nossa essência, se isso se destoar do prevalente, tornou-se motivo de vergonha, medo, violência e segregação. Por isso, antes mesmo de falarmos em direitos humanos, fundamentais ou, até mesmo, em conceito de dignidade, devemos nos lembrar do reconhecimento do que fundamenta todos esses direitos, senão o direito de SER.

A autonomia pressupõe que cada indivíduo possa ser e agir de acordo com seus costumes, sendo essa uma manifestação de sua individualidade.

Essa concepção deve ser inserida na questão indígena do Brasil e da América Latina como um todo, pois o diálogo entre culturas de grupos tão diversos, pertencentes a um único território físico, é de suma importância para a evolução das sociedades em termos de alcance do bem estar ideal.

Para tanto, o grupo deve compartilhar de valores culturais próprios, ou seja, deve se auto identificar e ser identificado pelo mundo externo como sendo um grupo determinado.

A idéia de autonomia da vontade de cada cultura em escolher o que lhe é ou não bem vindo não condiz com o ideal de universalismo, que propaga uma relação de domínio de um povo sobre outros.

Todos os Países latino americanos formados por sociedades herdadas de uma estrutura colonial, rompida apenas no “papel”, principalmente pelos movimentos de independência, mas que ainda mantém algumas falácias não concretizadas, cheias de discursos, porém sem vontade de mudança.

Conclui bem neste sentido Álvaro Garcia Linera (vice presidente da Bolívia): “E com isso, talvez o mais duradouro de todos eles, o sistema de crenças, preconceitos e valores dominantes que havia ordenado os comportamentos coletivos antes do processo de independência: a racialização das diferenças sociais por meio da invenção estatal do “índio” como o “outro negativo”.

Esta inferiorização da condição racial das pessoas infelizmente, e de forma até vergonhosa, se mantém presente na América Latina como um todo, no Brasil por exemplo em pleno século XXI, um deputado estadual do Estado do Maranhão, em um evento público, chamou os índios da etnia Awá-Guajá de um “bando de viadinhos”, e que os mesmos não sabem produzir alimentos e devem morrer de fome em virtude da política indigenista do País.

Ora, que a política indigenista no Brasil não é bem conduzida, temos que concordar com o deputado, mas o comentário racista e homofóbico empregado é fruto de uma demonização do “ser diferente”, em um País que se vangloria de ser um dos mais miscigenados, estamos por promover cada vez mais um “apartheid” social tanto com os indígenas (que a sociedade em geral prefere fingir que não existem mais), com os afro descendentes (que fora da África se compõe em número em sua maior sociedade pelo mundo) e com qualquer população tradicional.

São populações que ficaram à margem da estrutura social imposta e formada na época colonial, e que a par de discursos inclusivos, cheios de “boas intenções”, a inclusão que se propõe é aquela que remonta da necessidade de que todos pratiquem aquilo que a maioria dita como certo e aceitável.

Se fala muito em igualdade, e se justifica muitos atos em prol da busca da igualdade, ao aniquilar as diferenças, não podemos falar em tolerância quando todos devem ser iguais; quando não conseguimos achar atributos suficientes no outro para que esse torne-se espelho e exemplo de aprendizado e evolução.

Se pararmos de “lutar” pelos fracos e oprimidos (os diferentes), e dermos a chance de mostrarem que são fortes e perseverantes, pelas suas próprias diferenças, talvez conseguiremos efetivar inúmeras bandeiras que comumente levantamos frente a um Estado inerte e ineficaz.

Existe uma dificuldade muito grande das elites latino americanas como um todo em construírem nações verdadeiramente multiculturais, o que se vem produzindo são sociedades culturalmente miscigenadas que, porém praticam a intolerância e a discriminação cotidianamente, como se refletissem um passado nem tão remoto, e que não se conseguiu desvencilhar até hoje.

Como se todo o sangue derramado por toda luta de exploração, libertária e de autonomia que travamos, de nada tenha tido razão e para lugar algum tenha corrido, permanecendo ainda em nossas veias “abertas”, mas sem chance de passar para o próximo.

Ultimamente “novos” libertários se levantaram, mas com o devido respeito, sem chance alguma de serem nossos próximos heróis; na própria Bolívia, mesmo com 62% da população se auto identificando como parte de um povo originário, tendo eleito um presidente indígena desde 2006 (o primeiro da história da América Latina), o Estado permanece reflexo apenas e tão somente de seus momentos coloniais e suas heranças colonialistas.

O idioma oficial continua sendo o castelhano, a urbanização e a sobreposição da vida coletiva à individualidade continuam sendo objetivos macros, bem longe daquilo que deveria estar acontecendo, ou seja “em outras palavras, trata-se de buscar uma modernidade política baseada naquilo que na realidade somos, e não simulando o que nunca seremos nem podemos ser”.

Como vem ocorrendo na Bolívia, Brasil, Argentina, Equador, Venezuela, os governos eleitos com discursos populistas, não levam adiante suas bandeiras e projetos de melhoria do bem comum, o poder se torna meio e fim, e a busca para sua perpetuidade.

Não conseguimos ainda em nossas histórias formar verdadeiros líderes, que em busca de caminhos de prosperidade, igualdade e solidariedade para todos, pudessem nos conduzir a nossa posição de importância diante do resto do mundo, e este é um dos principais fatores por ainda sermos vistos como uma grande e produtiva colônia.

E assim como já vivemos, nossa realidade (e digo a brasileira e dos outros países latino americanos), de desconsolo, de tempos de dificuldades e incertezas, tempos estes os de hoje, e que nos afastam cada vez mais da evolução necessária para nos recuperarmos dos prejuízos históricos que nos marcam desde sempre.

america

 

Qual a sua reação?

Like
Like Love Haha Wow Sad Angry
1

Deixe um comentário