UM FRANGO FELIZ PODE MUDAR NOSSA HISTÓRIA

18/07/16 | Roberta de Angelis | Vida Orgânica

Alguns chefs de cozinha e celebridades engajadas estão sendo o caminho de divulgação da política do “Frango Feliz”, que preza por um  processo produtivo mais orgânico e natural, uma produção verdadeiramente mais humanizada trazendo bem estar animal e o produto final apto a proporcionar uma alimentação saudável a quem o consome, tudo isso devendo ter como base a informação (educação que alimenta) e a nossa reconexão com o alimento e com o meio que vivemos.

Dentro deste contexto gostaríamos de chamar mais atenção a projetos que coadunam com esses mesmos ideais, exemplo disso, um projeto chamado “Programa Leite de Vacas Felizes”, uma iniciativa da multinacional Bel Portugal (Terra Nostra), que exige que todo seu fornecedor de leite adote regras e medidas de produção pré estabelecidas; os produtores do leite, com sítios localizados nos Açores, buscam a sustentabilidade em primeiro lugar.

Tais medidas buscam o fim de conseguir um puro leite de pastagem, saudável e de qualidade superior, possível apenas graças à qualidade de vida das vacas nestas ilhas, que possuem solos ricamente nutritivos.

Os cinco pilares do “Programa Leite de Vacas Felizes” são: boa pastagem, bem-estar animal, qualidade e segurança alimentar, produção sustentável e eficiência, culminando com um alimento de extrema qualidade ao paladar, com certeza queijos, sorvetes, iogurtes advindos deste leite são muito mais gostosos.

Este Programa é sobre fazer o bem, para os nossos animais, para o ecossistema, para os Açores e para todos nós. Todos os produtores do “Programa Leite de Vacas Felizes” para serem certificados, têm de obedecer a um conjunto de requisitos e boas-práticas agropecuárias, sendo-lhes, em contrapartida, oferecido um conjunto de mais-valias, entre as quais se destacam uma melhor valorização do leite, suporte técnico dedicado, apoio na aquisição de sistemas de tecnologia adequados e quem vem produzindo além de leite delicioso, vários benefícios sociais.

Uma tentativa de mudança de consciência sobre este e inúmeros outros fatores de melhoria para a busca de uma alimentação correta, vem ocorrendo de forma setorial e carregada de oposições.

Por isso tão importante a consciência e voz vinda de pessoas com influência midiática, que já reconhecidos por seu trabalho, buscam atingir mais e mais pessoas para a tomada desta consciência e de atitude.

Vislumbramos dois tipos de problemas na atualidade que podem colocar em risco o próprio futuro de nossa existência neste planeta, um é a preservação dos recursos naturais e outro é a elevação de níveis de doenças que acometem os seres humanos.

Alguns movimentos conscientes destes problemas, vem tomando constância e robustez em busca de uma revolução alimentar completa, baseados na única forma de transformação até hoje sabida, senão a educação e a boa informação.

O que propomos é juntar a informação científica e o reavivamento de tradições culturais para uma mudança efetiva da postura alimentar. Buscando em nossas raízes e nossos antepassados, os costumes e meios de vida, desde o trato com o alimento, a semeadura, a colheita, até a preparação de alimentos ricos em sabor e amor, para retomarmos o prazer em comer.

Só de mudarmos a visão que temos de algumas culturas nativas, que esforçamo-nos tanto para esquecermos no passado e ficar apenas nos livros de história, por considerarmos atrasados ou inferiores, já caminharíamos vários passos em direção a esta tão sonhada mudança de consciência e hábitos.

Todo este processo passaria por análises comparativas de modos de vidas tão distintos, e inevitavelmente chegaríamos a resultados, necessários, olvidados até hoje, mas que certamente podemos alcançar, como preservação do solo, água e meio ambiente natural, melhoria nas condições de vida de pequenos e médios produtores rurais, possibilidade de realização de uma política de reforma agrária justa e efetiva, proteção do patrimônio cultural de cada povo às futuras gerações, educação alimentar e melhoria da qualidade de vida da população, e o tão utópico estado de BEM ESTAR.

Hoje em dia a monocultura vem sendo privilegiada pelos agricultores e pecuaristas, a produção em quantidade pode até ser impactante, porém o impacto ao meio ambiente é relevante, assim como o empobrecimento do solo, a poluição das águas e devastação da vegetação nativa, com uso indiscriminado de agrotóxicos.

Os riscos de uma agricultura intensiva e meramente mecanizada são inúmeros, principalmente para o desgaste do solo, que se esgota com o tempo, e literalmente morre, sem poder ser utilizado novamente no futuro.

O equilíbrio do ecossistema vem sendo ameaçado pela monocultura, uma ideia de produção que visa o comércio puro e simples.

Ocorre que este sistema não é nem mesmo sustentável pois a diversificação de culturas torna a capacidade produtiva muito mais efetiva, diluindo os riscos, bem como diminuindo os impactos à natureza.

A esperança é que os pequenos produtores tomem a consciência do melhor aproveitamento de seus espaços, de forma sustentável, diversificando ainda mais as formas de produção e assim mantendo produção constante, sempre possuindo fonte de renda.

A equação é muito simples, sob dois aspectos se deve e pode decidir o que plantar e como plantar: em função de interesses econômicos e socais e em decorrência das limitações físicas do meio ambiente.

São vantagens inclusive sociais, que com agregação de valor e melhor aproveitamento podem mudar a condição de vida de milhões de pessoas, mantendo o meio ambiente natural preservado.

  Para que os recursos naturais do nosso planeta não se esgotem, e nos falte o mínimo vital, como água e alimentos, temos que definitivamente começar de agora a produzir mais com menos, principalmente menos espaço físico.

Uma das formas de consciência sustentável, é justamente que a população aprenda a se alimentar de forma sustentável, não pensada em alimentos que são produzidos em larga escala por empresas que pensam no lucro por si só, como já disse Henry Ford: “Negócio que produz nada além de dinheiro é negócio pobre”.

Existem inúmeras tecnologias limpas e sustentáveis que hoje já estão disponíveis para que as formas de produção agrícolas sejam repensadas e melhoradas.

O bom produtor sabe muito bem o que faz bem ao solo que utiliza, sabe como preservar as águas que se conduzem em suas propriedades e pode produzir mais com menos devastação, o bom produtor também pensa nas gerações futuras, sendo assim só nos resta com educação e conscientização tentar transformar os outros produtores em “bons”.

Com tecnologias modernas pode-se transformar uma produção agrícola de desgaste em uma produção orgânica, que possui técnicas extremamente simples, o que faz muito mais sentido, visando a diversificação de culturas e melhor aproveitamento do solo.

Tudo pode se tornar cíclico, a partir do momento que a produção de orgânicos diversificada torna-se interessante e rentável para o produtor, com este sucesso, vem também o interesse em inovar dos fabricantes de suprimentos, ajudando com novas técnicas e tecnologias na eficiência da produção, que mais e mais deve atingir um número maior de consumidores.

Voltamos a dizer que somente com a consciência do que comemos é que podemos incentivar as produções sustentáveis, pois qualquer produtor, seja do que for, vive de quem consome seu produto.

O futuro já esta aqui em nossas mãos, e a consciência de mudança também, a população já tem que conviver com a escassez de terra e de água, sendo assim precisamos começar a pensar no gerenciamento da qualidade do solo, da sustentabilidade, da cadeia de suprimentos, da ciência e do desenvolvimento, entre outras questões. Não há dúvidas de que a agricultura hoje é algo que vai além de plantar uma semente no chão, e vai ser crucial no desenvolvimento da sociedade mundial. Não podemos aceitar um mundo onde se produz alimento em quantidade recorde na história e que as pessoas que passam fome têm aumentado na mesma proporção.

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